"Os personagens desta história são de propriedade de seus respectivos criadores e empresas e não há intenção alguma de obter lucro através deste conto e que se destina unicamente à diversão dos fãs."

Autora - WANILDA VALE

 

E-mail - wanshipper@yahoo.com.br

Data - 19/01/2000

 

 

SINOPSE - O dia-a-dia dos Agentes Fox William Mulder e Dana Katherine Scully.

O criador desses personagens diz ser impossível conciliar amor e trabalho entre eles.

Mas será mesmo?

 

 

 

 

M&S - O COTIDIANO

 

 

 

 

Ele sente-se enternecido ao ouvir o chamado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ele suspira, franze os lábios, olha para Byers ao seu lado, o microscópio, o computador e toda aquela parafernália de pastas, papeis e mapas ali expostos e sente-se no direito de ter um merecido descanso.

 

Byers ao vê-lo desligar o celular, apanha a pasta que estavam a analisar.

 

 

 

 

 

 

Mulder sai sem dar-lhes respostas.

 

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Os olhos apertados de Mulder perderam até o seu aspecto inquisidor, tamanho é o cansaço que o assola.

Ele mete a mão no bolso para apanhar as chaves e enfia-a na fechadura. Sente que quase não acerta o lugar onde deve colocá-la.

 

 

Ele bate a porta e entra, jogando as chaves na mesa da sala.

 

Scully está na frente da geladeira com maçãs nas mãos. Ela vira-se para trás a fim de cumprimentá-lo por sua chegada, esperando um beijo.

 

Mulder inclina-se para passar os braços ao redor da cintura de Scully. Aperta-a com força, ela geme e volta-se totalmente para ele.

Ficam ali abraçados, até sentir que seus corpos se completam e se desejam.

 

Ela afasta o corpo para fitá-lo.

Ela coloca em direção de sua boca uma maçã da qual ele tira um naco.

 

 

 

 

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Mulder jogara-se na cama, displicentemente após o jantar.

Fica escutando Scully arrumando alguma coisa na cozinha e sente o aroma de alguma guloseima que ela está preparando no microondas.

 

 

Alguns minutos depois Scully aparece à porta do quarto.

 

 

 

 

Scully dá um rápido retorno à cozinha, apaga as luzes e vem para junto do marido.

Entra no banheiro. Sai dele minutos depois:

 

 

 

 

Scully pára a fim de olhá-lo ali tão jogado na cama do casal, parecendo um menino levado que acabara de voltar dos folguedos.

Ela deita-se ao seu lado.

 

Ele ajeita-se para dar-lhe espaço na cama.

 

 

 

 

 

 

 

Os olhos dele vão-se fechando aos poucos, as pálpebras pesadas como que carregando fragmentos de chumbo nos cílios.

 

Scully deita-se por sobre ele, para que sentindo o seu calor seja mais fácil adormecer. Ela beija-lhe os cabelos, acarinha-o docemente, sentindo uma imensa ternura.

 

 

 

 

 

 

 

Alguns minutos são passados, enquanto ele, de olhos fechados permanece ali sob os carinhos dela, relaxadamente jogado no leito.

Uma saraivada de fogos anuncia que alguém lá fora deseja festejar algo com muito barulho.

 

Mulder abre os olhos, pestanejando várias vezes.

 

Scully beija-os, ternamente.

 

 

 

 

O leve ressonar denota que ele conseguira ser tomado pelo sono.

 

" De que adianta eu falar, dar conselhos e tudo o mais, se o meu marido é exatamente assim; faz sempre tudo da maneira que deseja e ninguém, jamais o convencerá do contrário. Esse é o trabalho que ele escolheu e é dessa forma que gosta de resolvê-los:

entregando-se aos perigos. E eu vou acompanhando-o, claro!" - pensa Scully com um leve sorriso nos lábios.

Lentamente ela afasta seu corpo do dele, fazendo o possível para não acordá-lo. Levanta-se devagarinho da cama e dirige-se para fechar a janela a fim de que o barulho que vem das ruas não o acorde.

"É tão precioso o momento em que ele pode relaxar a mente!" - pensa.

 

Um risco brilhante e fugaz no céu estrelado a faz perceber que uma estrela cadente havia cortado a imensidão escura.

"Dizem que deve se fazer um pedido ao vêr uma estrela cadente e o meu é ter o meu marido comigo me amando; desejo podermos nos respeitar reciprocamente, nos entender, nos ajudar um ao outro, até o dia em que um de nós for levado daqui do mundo dos vivos."

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Mulder firmemente com o olhar esquadrinhador examina seu semblante:

"Dana, - pára, tentando encontrar as palavras - não dá mais... vamos dar um tempo..."

 

"Não, Mulder! Por que isso?" - chora magoada.

 

"Tudo acaba, Scully; e o meu amor se acabou."

 

Ela sente seu corpo sacudir-se num choro convulsivo. Está magoada, triste, desolada.

"Mas por que? - insiste em perguntar - Mulder, o que está acontecendo? Existe outra?"

Ela sabe que não deveria chorar, humilhar-se diante dele, tão frio e insensível neste momento.

"Mulder, me responda! Quero saber!"

 

"Tudo acaba, Scully." - ele repete.

 

O peito de Scully parece querer explodir pela dor que sente no momento.

Ela estende-lhe os braços como que a pedir um amparo, mas ele permanece estático, frio, olhando-a fixamente. Nem parece o seu Mulder!

O choro incontido saindo como um jorro lá do fundo do peito domina inteiramente seu ser. Scully entrega-se ao desespero.

"Não!! Não pode ser verdade!!"

Ela irrompe num desesperado lamento e desaba sobre a cama.

 

Subitamente o toque da mão dele a faz gemer de prazer.

Sente-a quente, desejosa, explorando sua intimidade...

 

Scully abre os olhos. Chora convulsivamente ainda, sentando-se na cama.

 

O marido a observa, espantado. Jamais a vira desse jeito.

 

Os soluços fazem-na responder com a voz entrecortada:

 

 

 

 

"Sim! Ainda bem que aquelas malditas frases estavam só no sonho! Malditas frases! Que bom acordar e ver que tudo não passou de um sonho mau!" - pensa ela.

Despertara justamente por sentir as mãos de Mulder à procura de seu corpo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora ele dá um som mais alto à voz e agarra-a mais fortemente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Scully sente que seus sentidos voltam-se agora somente para o desejo de tê-lo junto a si, possuindo-a arrebatadoramente.

 

A sensual boca de Mulder procura a de Scully, voluptuosamente.

Suas mãos tomam conta de todos os detalhes mais íntimos do corpo da amada.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

- Cara, você não está nada bem! - olha-o Frohic admirado.

 

 

 

Byers aproxima-se para bater no ombro de Mulder e avisa-o:

 

- O que? - surpreende-se Mulder, levando u'a mão deslizando das faces para o queixo.

 

 

Mulder faz um gesto de impaciência:

 

 

 

 

Mulder balança a cabeça, desaba sobre uma cadeira à frente da mesa cheia de mapas e papéis.

 

 

 

 

 

 

Mulder e Byers folheiam avidamente a papelada à sua frente exposta na mesa.

 

Langly sai e retorna com uma caneca de café e entrega a Mulder.

 

- Podemos começar por aqui. - inicia Frohic operando o computador - Kevin... Kevin... Kevin Brandon, Kevin Morgan - abre bem os olhos - Olha, aqui está!

 

Mulder achega-se para observar a lista de nomes na tela.

 

 

Mulder anota os dados referentes ao homem procurado pelo FBI.

Logo vai saindo da sala dos Pistoleiros.

 

 

O Agente volta-se para atender seu chamado.

 

 

 

Vai saindo e ali mesmo, andando no corredor, pega o celular para ligar:

 

 

 

 

 

 

 

E Scully bem entende. Sempre foi assim e sempre o será. Mulder é sempre muito decidido nas coisas que necessita resolver.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Mulder sai do carro após tê-lo deixado na garagem do prédio.

Toma o elevador para seu apartamento. Aproxima-se para abrir a porta, quando alguém no corredor o chama.

 

- Senhor...? - uma mulher sorridente o alcança.

 

 

 

 

 

 

 

Ele continua parado em frente à porta, ainda fechada.

Faz um leve aceno de cabeça, incentivando-a a falar.

 

 

 

 

 

 

Mulder esboça um breve sorriso:

 

 

Mulder faz um sinal para que ela o encaminhe até seu apartamento e a mulher o faz tomar o elevador.

A Sra. Steiber o faz entrar em sua moradia.

O apartamento é decorado com extremo bom gosto e parece ser um ambiente acolhedor.

Mulder examina sala, quartos e demais dependências.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mulder dirige-se para o seu andar, tomando o elevador.

Abre a porta do apartamento.

Não vê Scully.

Somente ouve o barulho da água caindo do chuveiro dentro do banheiro.

Ele retira o paletó e joga-o sobre uma cadeira.

Abre a porta do banheiro. Scully está dentro do box.

 

 

 

 

 

Scully já fizera parar a água do chuveiro e vestia o roupão de banho.

 

 

Scully aproxima-se e encosta-se em seu corpo.

 

Mulder a envolve e logo sente o desejo de tê-la colada a si.

 

 

Mulder retira a única peça que ainda cobre uma parte íntima do seu corpo e entra no box com Scully, que já pusera de lado o roupão que vestira.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Na penumbra do quarto Mulder acaba de vestir-se com calça jeans e um blusão como costuma usar. Está colocando o tênis:

 

 

 

Scully chega até a porta do quarto. Está vestida com calças compridas e uma blusa de seda de mangas longas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

A campainha da porta soa várias vezes, repetidamente.

 

Scully abre a porta para saber quem está tão apressado.

 

 

 

 

 

 

 

 

Scully franze os lábios e levanta as sobrancelhas no seu gesto característico de descrença.

 

A mulher tenta sorrir:

 

- Pode deixar, - retruca Scully mal humorada - logo o Agente Mulder chega e veremos o que pode ser resolvido. Está bem assim?

 

 

A figura alta e imponente de Mulder destaca-se ao abrir-se a porta do elevador no final do corredor.

 

A Sra. Steiber olha-o para exclamar:

 

Scully levanta uma das sobrancelhas, intrigada.

"O que essa mulher quer com Mulder? Realmente essa estória de cachorros e gatos é pra boi dormir. E afinal de contas essa mulher, além de ser mais jovem do que eu, é bonita e atraente..."

 

 

 

 

Skye-Terrier e têm pedigree! Acho que vou perdê-los todos! - queixa-se com voz chorosa.

 

Scully está à porta, de braços cruzados e lábios franzidos, apreciando a cena "tocante".

 

Mulder olha o relógio de pulso:

 

Sai ansiosa e apressadamente.

 

Scully deixa passagem para Mulder entrar.

- Por que essa mulher não arranja um motivo plausível para procurá-lo? Eu não falei, Mulder? Essa aí está interessada mesmo é em outras coisas de você.

 

 

Scully não responde.

Se o seu marido tem que ir no apartamento daquela mulher, ela a iria surpreender, pois o acompanhará até lá. Está resolvida.

 

Mulder já está pronto para sair porta afora.

Como sempre afobado, sem esperar um segundo por Scully.

 

- Calma, Mulder, eu estou indo com você.

 

 

Scully nem lhe dá resposta.

"Detesto responder perguntas cretinas." - pensa.

Sai em companhia de Mulder para o apartamento da vizinha do 12º andar.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

"Bonito o apartamento! " - pensa Scully, olhando em torno de si.

Vê a grande e espaçosa sala decorada com imensos sofás em tecido claro, belos quadros bem distribuídos nas paredes e muitas plantas decorativas, embelezando o ambiente.

 

- Sr. Mulder... - a mulher faz uma pausa e olha simpaticamente o casal - posso chamá-lo de Fox? - e após ele assentir volta-se para Scully - Se importa se chamá-la de Dana?

 

 

- Bem, veja só aqui, Fox, - chama-o segurando-lhe um braço, com certa intimidade, levando-o até um canto da sala - todos os meus animais morrem sempre neste mesmo lugar. - aponta a área exata no brilhante assoalho.

 

Scully aproxima-se também, dizendo para si mesma:

"Não vou deixar o meu Mulder entregue à sanha avassaladora dessa conquistadora!"

 

Mulder, com um gesto de mão chama Scully para mais perto dele.

 

- Agente Scully?! - a vizinha dá uma risada - Tratam-se assim tão formalmente, Fox?

 

Esta frase atiçou muito mais os ciúmes de Scully, que achega-se a Mulder, segurando-lhe a mão. A frase cheia de escárnio da mulher abala-a profundamente.

 

Mulder, com ternura, envolve sua cintura com um braço, dando-lhe um rápido beijo no pescoço, parecendo adivinhar o grande sentimento arrasador de raiva, que aumentava no interior de sua mulher.

- Veja aqui, Scully, está sem marca nenhuma ou ferimento no corpo. - diz, agachado agora, junto ao animal morto.

 

Scully fez o mesmo e tocou nos pêlos do cão.

Deslizou os dedos pelo corpo do animal, até chegar ao pescoço.

- Sra. Steiber, - anuncia - alguém simplesmente enforcou esse cachorrinho.

 

- Enforcado?! Ah meu Deus! - queixa-se a mulher - Mas não é possível! Quem faria isso?

Scully ergue-se e Mulder faz o mesmo.

 

É uma mocinha que entra na sala aos prantos.

Abraça-se à mãe, que a afaga, com carinho.

 

Mulder examina todos os detalhes da sala.

 

 

 

 

Neste exato momento a porta é aberta e um rapaz bem apessoado entra.

 

A Sra. Steiber volta-se em sua direção e anuncia:

 

O recém-chegado acena para os dois Agentes e rindo, aponta o cão morto:

 

- É... - diz Scully, examinando com atenção o semblante do rapaz.

 

 

- Agentes do FBI?!

O espaço da grande sala é pequeno para ecoar a gargalhada que o rapaz despeja no ar.

Dobra-se ao rir.

 

- Não seja tolo, Brian! Eles só estão aqui por acaso! - mente, querendo ocultar o fato.

 

- Brian, - Scully chama-lhe a atenção - de fato sua tia nos pediu que viéssemos aqui, sim!!! - faz ênfase - Ou melhor, chamou o meu marido!

 

Os olhos de Mary Steiber faiscam na direção de Scully e Brian.

 

- Bem, bem, - Mulder tenta fazer voltar ao normal os ânimos das duas mulheres - chama o rapaz até um canto - Você não aprecia os cães de sua tia, Brian?

 

 

 

 

Mulder meneou a cabeça, anuindo e olhou para Scully como sempre, com um olhar de cumplicidade.

 

 

 

Novamente a porta abre-se e um homem de meia idade penetra no ambiente.

Todos os olhares voltam-se para ele.

Os passos do homem parecem um tanto inseguros, mas seu semblante é firme.

 

Mary dirige-se para o marido ao vê-lo entrar:

- Kurt, esse casal aqui veio nos ajudar; mais um cãozinho nosso apareceu morto, Kurt! - ela choraminga.

 

O homem cumprimenta o casal de Agentes somente com um meneio de cabeça e dirige-se até o animal que jaz no chão.

 

 

- É muita gentileza terem vindo aqui. - faz uma pausa e dirige-se à Scully - Mas vieram ajudar-nos em que?

 

 

Mary aproxima-se e segura o braço do marido:

 

 

 

Scully sente-se terrivelmente sem jeito. O modo de Steiber a incomoda; ele despe-a com o olhar e parece ignorar totalmente a presença de Mulder.

 

 

 

A mulher olha sorridente para Scully e Mulder.

 

 

 

Mulder levanta uma sobrancelha e coloca as mãos à cintura.

 

 

 

Os olhos de Steiber, porem, dirigem-se sempre para o rosto bonito de Scully, que com semblante sério, acompanha as palavras de Mulder.

- Sra. Mulder¸ por favor, chegue até aqui. - pede o vizinho, fazendo-a chegar até o cão sob a planta - Olhe só; não dá pra entender; todos eles morrem exatamente neste local e sabendo que enforcam os bichinhos, isso dá muita raiva.

 

 

 

Scully sente necessidade de fazer alguma coisa para tirar dela a atenção daquele candidato a um conquistador barato.

Abaixa-se para ver mais de perto o cão e observa:

A planta de longos e fortes ramos, raízes e gavinhas é muito viçosa e alta, porém o vaso em que é plantada é baixo, deixando seu tronco bem livre, como se estivesse plantada diretamente na terra, não em um vaso, bem próximo ao piso da sala.

E ela percebe que a terra está bem molhada e um pouco d'água havia escorrido pela beirada do vaso até o chão.

 

O Sr. Steiber repara no que Scully examina e acompanha-a no que faz.

 

Scully levanta-se e logo o gentil vizinho tenta ajudá-la, segurando-lhe um braço, no que ela rejeita, agradecendo.

- Vamos, Mulder, - chama - vamos embora.

 

Mary, imediatamente, toca o braço do Agente, determinada:

 

 

 

 

Mulder toma a mão de Scully e dirigem-se à porta de saída.

O casal sai e anda rapidamente através do longo corredor até o elevador.

Entram nele e param em seu andar.

Nada falam até chegarem dentro de seu apartamento.

 

 

 

 

 

Scully sabe exatamente que não é esse o drama que sente agora, porem tem que dizer qualquer coisa, para que Mulder não possa perceber a raiva que sente pela desagradável investida do vizinho.

 

 

 

Scully, que está de costas para ele neste momento recebe a frase com grande impacto.

"Deus! Será que ele ouviu o homem falar sobre os meus olhos?" - pensa temerosa.

Volta-se, quase demonstrando um semblante transtornado, mas vê Mulder em atitude gaiata, apertando ainda mais os olhos um tanto pequenos que possui.

Scully corre a abraçar o marido. Agradece a Deus por ele estar apenas em atitude de brincadeira.

 

Mulder a abraça com calor.

Senta-se numa poltrona, carregando-a consigo para que sente-se sobre seus joelhos.

 

Scully não permite mais que ele fale; aperta o rosto dele entre as mãos e une sua boca à dele, com sofreguidão.

 

Mulder abre-lhe os botões da blusa um a um, deixando à mostra a parte do corpo de sua mulher que tanto o atrai e o faz acarinhar com a boca ávida, deliciando-se com o amor agora sem barreiras.

 

- Mulder...? - ela murmura ofegante.

 

 

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Ao abrir a porta no dia seguinte a primeira figura que vê é o Sr. Steiber sorridente, segurando pela guia vermelha um cãozinho peludo.

Scully praticamente toma um susto ao vê-lo.

 

 

 

Ao vêr o olhar de censura de Scully, o homem faz um gesto com a mão:

 

Scully sente que está perdendo a paciência:

 

 

 

O homem abaixa-se para pegar ao colo o pequeno cão.

 

Scully fixa o olhar aterrado no vizinho.

Ela sente que seria preferível estar agora frente a um assassino, um monstro ou um alienígena, como tantas vezes já ocorreu. Estaria bem mais calma, tem certeza disso.

 

 

 

Não vê? Só quero ajuda, já que vocês investigam casos inexplicáveis!

 

 

 

 

 

 

O homem abaixa a mão livre para tocar levemente o quadril de Scully.

 

A porta do elevador abrira-se e Mulder surge apressado, caminhando pelo corredor em direção a eles.

O vizinho imediatamente retira o pé que impedia a porta ser fechada.

 

Mulder já está bem perto deles.

 

 

Os olhos perscrutantes do Agente fixam-se no vizinho.

Coloca um braço à volta de Scully.

 

Scully nota que a voz do marido não está muito simpática, como anteriormente ele havia tratado Steiber.

 

 

 

 

Scully mantém-se com seu ar cético mais dominado agora pela raiva.

 

 

 

 

 

 

 

Sai junto do vizinho pelo corredor, na direção do elevador.

 

O homem ainda segura entre os braços o cão.

 

Mulder nada responde.

 

Scully notara o olhar frio dele na direção do vizinho e suas mandíbulas contraindo-se, denotavam uma certa repulsa por ter que ajudar o homem, porem a curiosidade do estranho caso o faz seguí-lo até sua casa.

Entra e fecha a porta atrás de si.

 

Steiber fala sem parar, não obtendo no entanto, seguimento na conversa da parte de Mulder.

Agora, junto ao apartamento do 12º andar ele abre a porta e logo a chegada do Agente é percebida por Mary, que o cumprimenta, atenciosa.

 

Sem mais falar e nem fazer perguntas, Mulder aproxima-se do local onde outros cães haviam sido estrangulados.

- É este o lugar, não?

 

 

Mulder toca nos ramos da viçosa planta, examinando cuidadosamente seus flexíveis ramos e gavinhas.

 

 

 

 

 

O homem coça a cabeça:

- É... a gente fica pensando que haja problemas com ela. Mas como pode ter certeza?

 

Mulder não responde e prepara-se para sair do apartamento.

 

O Agente sai a passos largos, no seu caminhar característico, deixando o casal atônito, sem respostas e sem nem cumprimentá-los ao sair.

A porta é batida com vigor.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Scully? - chama ao entrar no seu apartamento.

 

Ela surge já arrumada para sair com Mulder.

 

 

 

Mulder faz um gesto afirmativo com a cabeça.

- Scully, - aproxima-se dela - o que foi?

 

 

 

 

 

 

Ele a mantém colada junto ao seu corpo, olhos fixos nos dela.

Os imensos olhos azuis de Scully enchem-se de lágrimas de aflição.

Sabe que qualquer confirmação que desse à suspeita de Mulder, a reação dele seria desastrosa, pois usaria a força de seus punhos para resolver a questão.

Não permite-lhe mais nada falar e nem olhá-la nos olhos.

Encosta seus lábios no pescoço dele, beijando-o também no peito através da camisa entreaberta.

 

 

 

Mulder senta-se na ponta da mesa, balançando a perna enquanto fala:

Outros escreveram um livro a respeito do assunto e nesse tal livro revelam que as plantas têm realmente vida inteligente e não é misticismo ou ocultismo, mas sim como verdade científica. Elas têm memória, sentem medo, sabem definir um inimigo, assim também de como quem as adora, etc. etc.

 

 

 

 

Mulder apenas esboça um sorriso, aceitando a sua proposição, meneando afirmativamente a cabeça.

 

 

Mulder entende que ela quer, definitivamente, encerrar o assunto. Olha o relógio de pulso.

 

 

 

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Scully, de braços cruzados na atitude cética que lhe é peculiar, observa Mulder, Byers e Langly pesquisarem algo no computador.

 

" E tudo começou por iniciativa da secretária de Cleve Backster, que achava árida a aparência do escritório e que então teria que levar um toque de verde e por isso colocou uma planta chamada dracena massangeana na sua sala de trabalho.

Backster, numa noite em súbito impulso, decidiu colocar os elétrodos de um dos seus detectores sobre uma folha da dracena. Ele usou o galvanômetro, que é a parte de um detector de mentiras poligráfico, o qual possui uma agulha que desenha sobre um gráfico as emoções de cada ser humano.

Tomando uma caixa de fósforos, Backster notou que outra súbita alteração se registrara no gráfico, quando dispunha-se a queimar a folha. A planta sentia medo!

E dessa forma ele foi agindo em diversas ocasiões, testando a possibilidade de reações da planta.

Não há planta que seja uma coisa estática; o crescimento é uma série de movimentos; as plantas estão constantemente preocupadas em vergar, tremer e dar voltas.

O estudioso Francé afirma que os milhares de braços polipoides que se esticam de uma latada tranquila, agitando-se, tremendo na ânsia de encontrar novo suporte para os ramos pesados que crescem atrás deles, 20 minutos depois de achar um pouso, a gavinha descreve um círculo completo e em 67 minutos começa a contornar o objeto; dentro de 1 hora sua adesão já é tão firme que não se pode destacar.

E foi após muito tempo de pesquisa dos cientistas dos Estados Unidos e da União Soviética que Peter Tompkins e Christopher Bird escreveram um livro sobre isso chamado A Vida Secreta das Plantas."

 

E nesse ponto em que liam o documentário, Mulder dirige seu olhar para Scully:

 

Scully limita-se a erguer os grandes olhos e aproxima-se de Mulder, sem nada comentar.

 

- Sobre o que você está falando? - pergunta Byers de olho na tela do computador.

 

- Vingança! - fala Mulder em voz baixa.

Resolve continuar a leitura em voz alta:

 

 

Mulder e Scully saem do local.

 

 

 

De que adiantaria mais Scully tentar convencê-lo a desistir da idéia? Ele iria resolver o caso das plantas e ela, sem dúvida, como sempre o acompanharia e teria sempre que aceitar suas estranhas teorias.

 

 

- Para os vizinhos do 12º andar.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Mary Steiber abrira a porta e seu semblante denotara alegria por ver o casal à sua frente.

 

- Sra. Steiber, - diz Mulder - preciso dar-lhe umas instruções.

 

 

A senhora deve colocar sua filha ou seu marido para vigiarem seus animais quando estiverem junto a esta planta. - toca os verdes galhos - Ou simplesmente tirar daqui esta planta que está ao rés do chão ou então, mais simples ainda, não criar mais animais aqui dentro.

 

 

- Que os seus animais maltratam sua planta e ela vinga-se deles. - explica Scully.

 

Mulder a fita. No seu olhar não dá para Scully definir se há agradecimento por ela concordar com suas teorias ou o mais terno e doce sentimento de amor para com sua mulher.

 

- É só, Sra. Steiber. - fala Mulder preparando-se para sair.

 

 

 

E saem dali a passos rápidos para tomar o elevador, dirigindo-se para o seu trabalho no FBI.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

No carro com Scully no volante, Mulder recostado no encosto do banco mantém os olhos

fechados.

 

 

 

 

 

 

Mulder, que mantinha os olhos fechados até então, chega bem próximo a Scully para olhá-la nos olhos.

 

Scully ri, levando a cabeça para trás.

 

 

 

Mulder passa o braço por sobre os ombros dela, afagando-lhe o pescoço com os lábios.

 

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Acabam de entrar no apartamento, quando Mulder olha o relógio de pulso.

 

 

Rapidamente ela dirige-se para o chuveiro, enquanto Mulder vai retirando paletó, sapatos, tudo, a fim de aguardar a hora do banho.

 

 

Ele rápido encaminha-se para onde ela o chama.

 

Scully o aguarda insinuante, esperando que ele se aproxime, vestida somente com a lingerie.

Vira-lhe as costas para que ele abra o fecho do soutien rendado.

 

Enquanto delicadamente ele tenta desvencilhar-se do fecho da peça íntima de sua mulher, murmura:

 

 

 

 

Dana Scully Mulder... minha mulher...! - sussurra, com os dentes segurando-lhe os lóbulos da orelha, ambos sentindo a tépida água caindo sobre seus rostos, enquanto por dentro de seus corpos fervia a quentura do desejo.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

 

 

O forte toque da campainha os assusta.

 

- Nada?! - Scully senta-se na cama para conferir se realmente havia escutado o toque da campainha.

 

Novo toque ressoa no apartamento.

 

 

 

 

Scully olha-se a si mesma no belo quimono de cetim e seu pensamento volta-se para os fatos passados um dia antes:

"Será que o Mulder sabe que aquele sujeito me fez galanteios?" - pensa apreensiva.

 

Na porta Mulder acaba de defrontar-se com Steiber.

 

 

 

O vizinho corre o olhar pela sala do apartamento, como que procurando algo, talvez a dona daqueles olhos azuis que tanto o haviam tentado.

 

Mulder entra no quarto.

- Scully, não me demoro. É o Steiber me chamando para ver algo. Fique aí na cama.

 

Scully meneou afirmativamente a cabeça, concordando com suas palavras e permaneceu deitada.

Sabe agora que é completamente infundada a idéia de que Mary queria algo de seu marido.

Parece-lhe bem claro que o verdadeiro conflito poderia ser criado mesmo é pelo marido da vizinha.

 

Mulder sai, acompanhando Steiber.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

Mulder abaixa-se para vêr exatamente o que se passara com o cãozinho morto junto à planta.

 

O animal trazia enroscado em seu corpo uma vergôntea da planta, que talvez pelo esforço do cão em livrar-se, tinha se quebrado do caule.

 

Mulder levanta-se, dá um suspiro e olha a espantada Mary abraçada com sua filha, Pat.

 

 

Mulder olha à sua volta e não o vê.

 

 

O sexto sentido de Mulder o faz sair rapidamente do apartamento e caminhar a passos largos em direção às escadas.

Nem tomaria o elevador. Não haveria tempo.

Desce as escadas correndo.

A vista de Mulder alcança Steiber caminhando no corredor, em direção do seu apartamento.

 

O homem, surpreendido assim de repente, pára, completamente assustado com o flagrante:

 

A última palavra fôra pronunciada distorcida pelo violento golpe que seu queixo recebera e, estando desprevenido de tal reação da parte do Agente, perdera o equilíbrio, caindo estatelado no chão.

 

 

Kurt Steiber permanece ali, caído no chão, alisando a mandíbula machucada.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

O dia está deslumbrante.

O céu límpido, convidando a um fim de semana agradável.

Mulder e Scully acabam de sair do prédio de mãos dadas, dirigindo-se para o carro estacionado do lado de fora.

Entram no carro, não sem antes jogar uma enorme bolsa na mala.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Scully diverte-se com a brincadeira.

 

 

 

 

 

 

 

Scully desconfia de algo. Fita-o, com os grandes olhos indagadores:

- Mulder...? Você não tem nada a ver com isso, não é?

 

- Hãn, hãn... - enquanto balança a cabeça de modo negativo, seu olhar responde positivamente para Scully e um leve sorriso é esboçado num dos cantos de sua boca, denotando um ar de vingança.

Ele a envolve nos braços fortemente, como se não quisesse perdê-la.

 

Scully sorrí. O seu Mulder, seu amado Mulder tinha se vingado do galanteador.

- Mulder, - ainda estão abraçados - eu te amo muito!

 

- Sim, sei... - solta-a do abraço - mas vamos deixar pra lá neste momento o que estamos sentindo dentro de nós, porque quando me fala desse jeito me deixa louco, Scully e aí se eu não me segurar, vou ter que sair do carro, levar você lá para cima e...

 

Scully ajeita-se no seu lugar.

 

Mulder sai com o carro em velocidade.

 

 

 

 

Ele balança a cabeça com ar de censura.

 

 

As ruas e avenidas vão ficando para trás a cada segundo que passa.

 

Scully compartilha com Mulder em mastigar as sementes de girassol para passar o tempo de chegada ao seu destino, no hotel da praia.

 

 

X x X x X x X x X

 

 

O crepúsculo faz acinzentar todo o céu azul.

As primeiras estrelas tremeluzem no espaço.

Já uma fatia transparente da lua aparece, enquanto o sol vai se escondendo por trás das montanhas escuras.

O vento suave faz ondular as águas do mar, onde barquinhos a vela deslizam sobre o brilho das águas, fazendo a cena assemelhar-se a um quadro irreal por sua beleza.

Gaivotas vez em quando penetram nas águas, em seguida subindo de seu interior, dando gritos agudos.

 

Mulder e Scully caminhando com pés descalços sobre a areia ainda morna pelo sol do dia, olham para a paisagem sorvendo cada porção da paz e felicidade que sentem.

 

 

 

Param de caminhar e abraçam-se, sôfregamente.

O vento que ondula o mar faz voltear no ar os cabelos ruivos de Scully, que roçam a face de Mulder.

A espuma das ondas que se quebram sob seus pés lava-os mansamente e faz com que eles se enterrem ainda mais na areia branca da praia.

Mulder suavemente dobra com carinho o corpo de Scully para que ela acompanhe o seu, caindo sobre a areia.

Deitam-se e ele a abraça, docemente.

Suas mãos levemente tateiam o contorno do corpo da mulher amada e se delicia em vê-la lânguida ali, entregue às suas carícias.

 

 

Um dos inúmeros insetos que dão voltas pela praia, gira ao redor do rosto de Mulder, fazendo com que ele sinta um leve toque em sua face e levantando a mão, dá um tapa rápido na sua própria orelha, o que assusta Scully.

 

 

Ela toma o rosto dele em suas mãos e sussurra:

 

- Nem de longe pense isso, Scully. Acabou! Não há abelha, escorpião, serpente, seja o que fôr, que possa impedir-me de ter de você o que me pertence agora... - puxa-a para bem junto de si - agora enfrento qualquer coisa que queira interpor-se entre nós, querida, o mundo inteiro, o universo até, incluindo alienígenas e assemelhados.

 

Ela procura-lhe os lábios ávidos, aguardando que ele deponha sobre sua boca todo o seu desejo de amá-la sem restrições.

 

Murmura e suga, então, com prazer o gostoso néctar da sua amada, a sua vida.

 

 

FIM