SÓ PARA AGRADAR

 

"Para se ser amado vale

mais agradar do que amar."

Louis Desnoyers

 

Capítulo 106

A paisagem deslumbrantemente verdejante passa diante de seus olhos abismados por tanta beleza na natureza que se estende por todo aquele longo pedaço de chão.

Contemplando o pequeno ser sendo suavemente embalado pelo movimento do trem, a avó se pergunta, com um aperto no coração.

"Por que seus pais tem que sofrer tantas perseguições? Por que não podem viver como os casais comuns? Amam-se, dão-se um ao outro com todo o carinho que têm no coração, porém não podem ser totalmente felizes. Há sempre a possibilidade de alguma coisa aterrorizante os cercando. E eu amo

tanto aqueles dois! Amo tanto essa criança! Esta viagem é uma forma desesperada de tentarem não pensar em terríveis idéias que possam prejudicar a si e a seu filho."

Seus olhos, contemplando a criança, brilham pela emoção de seus pensamentos.

Ela ajeita-o, carinhosamente, enquanto procura usufruir do bem estar daquela viagem.

O trem corre numa pequena vibração que apenas faz alertar o corpo, sem, no entanto, incomodar.

Na pequena cabine um tanto confortável, ela sente prazer por estar com seu precioso netinho e poder auxiliar sua filha e o homem que ela ama.

Ouve as rápidas e discretas batidas na porta. Apressa-se em abrir.

Dana sorri.

Ela aproxima-se do bebê, que lhe sorri no olhar e nos lábios, ao ver a mãe, levantando os braçinhos em sua direção.

Dana sai, carregando seu filho.

Entra na cabine ao lado.

Mulder está deitado.

Mulder acaricia com um breve sorriso a face de seu filho.

Dana o coloca ao seu lado.

Dana sorri. Imita voz de criança, novamente:

Mulder diverte-se, olhando docemente o seu rebento nos braços da bela mãe.

Dana ajeita-o no colo e chega-o para perto de Mulder, a fim de que este lhe faça um afago.

Mulder beija a face de seu filho.

Dana o leva de volta à cabine ao lado, onde está Maggie.

Deixa o bebê com a mãe e retorna até Mulder.

Ele já está de pé, abrindo uma valise. Dela retira um pacote. Entrega-o à Dana.

Dana abre o pacote, sorridente.

Um lindo e suavemente colorido buquê com uma mensagem encapa o cartão.

Ela o abre, então.

Embutidos no cartão-caixa, meia dúzia de escarlates e brilhantes corações de chocolate o estão belamente decorando.

Dana encaixa seu corpo pequeno nos braços longos de Mulder, ansiando por um afago, sentimento que é recíproco em ambos.

Mulder a aperta contra si, com um gemido de prazer.

Completam-se. Sentem-se. Num só corpo. Numa só felicidade.

"Um instante de felicidade vale

mais que mil anos de celebridade."

Voltaire