SEMPRE JUNTOS

"O amor não consiste em olhar

longamente um para o outro,

mas sim para a frente, juntos,

e na mesma direção.

Antoine de Saint-Exupéry

Capítulo 151

Dana o observa, atenta e um tanto preocupada.

O seu Mulder sempre fôra por demais impetuoso. E por vezes, essa sua impetuosidade o levava a decepções, como a que tivera agora, segundo lhe havia contado.

Ele está sentado, ombros inclinados para a frente, sacudindo as pernas levemente, numa explícita demonstração de nervosismo.

Dana continua fitando-o, amorosamente.

Ele levanta o olhar em sua direção. Nada responde.

Ele continua sem responder. Apenas encolhe os ombros.

Dana sorri. Aproxima-se dele.

Ela abraça-o pelo pescoço, amorosa.

Umas batidas discretas na porta, chamam-lhe a atenção.

Dana aproxima-se dali. Abre a porta.

O homem está diante de Dana, sobraçando uma boa quantidade de envelopes. Retira um deles e o entrega à ela.

Dana agradece e o homem retira-se.

Ela passeia o olhar sobre o remetente: Dr. Scott, o advogado de Mulder.

Ele o recebe das mãos dela.

Dana está de pé ao lado dele.

Mulder, de forma alguma, deseja que ela passe os olhos pela correspondência, já que é de suma importância e de extremo segredo.

Ele tenta disfarçar, então, para não abrir, de imediato, o envelope. Fica parado, com ele entre os dedos, olhando cada detalhe da escrita no endereçamento, fazendo passarem-se os segundos.

Dana lhe devolve o sorriso, com o seu, cheio de amor. Ela adora ver essa expressão no rosto dele. Fica feliz. Por fim, afasta-se para pegar o telefone.

Mulder está impaciente. E pensa:

"Tanto segredo que estou fazendo...! Pra que é isso? Será que depois ela vai ficar zangada comigo? Mas... mas não! Ao mesmo tempo imagino que devo guardar sim, esse segredo. Se der algo errado, então? De que valeria encher-lhe o coração de esperança?"

Com esses pensamentos, dirige-se ao banheiro, carregando consigo o envelope. Tranca a porta. Rasga o invólucro da correspondência. Com dedos aflitos e sob tensão, lê a missiva:

Prezado Sr. Fox W. Mulder,

No devido tempo para uma preparação no agendamento de uma sua imprescindível breve viagem até esta cidade, pois teremos que contar com a sua presença, venho informar a V.Sa que já nos foi possível localizar o paradeiro de seu filho William Scully, adotado em 2001.

A criança encontra-se em poder do casal Van De Kamp, proprietário de uma fazenda, numa localidade do interior

Ainda não foi feito o primeiro contato com o citado casal, pois urge ser preparada toda a necessária documentação, para o prosseguimento da Extinção de Adoção.

Mulder prossegue lendo, avidamente, cada linha da carta, com a emoção aflorando em seu semblante.

"Encontraram nosso filho! Encontraram nosso filho! Meu Deus, que felicidade!"

Ele passa os olhos, mais uma vez, por sobre o conteúdo da missiva. Está absolutamente empolgado. Dobra, em muitas vezes o envelope com a carta, e coloca no bolso da calça jeans.

Rapidamente toma sua lâmina de barbear. Olhando-se no espelho, ele mesmo pode notar o brilho em seus olhos.

"Imagine a Scully...! Se eu não tiver cuidado, ela pode até sofrer um grande impacto. E eu quero para ela todo o bem do mundo; para ela e para o nosso amor. Temos que seguir sempre juntos, seguros, num só pensamento e ideal.

Van De Kamp... Van De Kamp... fazenda ... interior... viagem."

Todos os dados que ele acabara de ler, haviam permanecido em seu subconsciente. Ele termina de fazer a barba. Lava o rosto, apressadamente. Enxuga o rosto e as mãos.

Mete a mão no bolso e retira dele o envelope. Abre a carta. Lê, novamente, o último trecho.

"O Doutor Scott diz aqui que devo apressar-me em ir até lá, para dar conclusão aos documentos finais que faltam para o Requerimento. Como vou fazer agora? Deixar Scully aqui... e sozinha?"

Sua mente entra em ebulição. Tudo está fervendo dentro dele, pois, além da emoção pela notícia de seu filho, existe a angústia pelo que tem que acontecer: deixar Dana só, nessa cidade estranha.

Novamente ele dobra o papel junto com o envelope e o coloca no bolso, com mãos nervosas. Sai do banheiro.

Dana está absorvida em remexer alguns objetos, que havia retirado de uma frasqueira de viagem, após tê-los espalhado sobre a cama.

Mulder chega-se até ela, por trás, e a abraça impetuosamente, deixando encostar seu corpo quente no dela.

Dana sente nele a respiração afogueada, o perfume intenso que lhe emana da pele.

Ela volta-se para ele, agilmente.

Dana está de braços cruzados, fitando-o, com ar incrédulo e meio sorriso nos lábios.

Ele percebe que ela está assustada. Preocupa-se com o que ela possa imaginar.

Dana fecha os olhos e aperta-os com força. Logo, em sua mente, há uma montanha de perguntas a serem respondidas.

Por quê? Para quê? Quando? Como? Onde?

Mas, na verdade, sabe e sente que tem que ter paciência com tudo à sua volta, principalmente para o com o homem de sua vida.

"A paciência é amarga,

mas seus frutos são doces."

Jean Jacques Rousseau