ESTRANHO ACONTECIMENTO

 

"O medo de um acontecimento é sempre

mais insuportável que o próprio acontecimento."

Stefan Zweig

 

Capítulo 167

 

 

Ele continua prendendo-a mais contra seu corpo.

Ele a solta, então.

Dana fecha os olhos e entrega os pontos, deixando-se embalar pelas carícias do amado.

Ela nada mais pode falar. Sua boca é dominada pela dele.

Após o beijo ele desliza a língua por seu pescoço, orelhas e vai descendo até tocar a maciez de seus seios, que pulsam por aquelas carícias .

Ele apropria-se nesse momento dos pontos de prazer e sente que eles tornam-se rígidos aos seus toques.

E seu corpo másculo, já sentindo a intumescência que o prepara, a fim de desfrutar do prazer daquele corpo que a ele se oferece, vibra e o faz encher-se de desejo.

* * *

Somente uma réstia de luz diáfana da lua penetra pelo aposento em silêncio.

Dana abre os olhos, despertando do sono.

Mulder dorme ao seu lado.

"William... preciso vê-lo... - ela pensa, repentinamente - ... ah, mas mamãe está com ele."

Recorda, como há tempos atrás, ela ia vê-lo muitas vezes, em seu quarto. Agora, no entanto, sua mãe dorme no quarto com o bebê.

Fôra uma opção dela mesma, mesmo tendo o seu próprio e confortável quarto.

Seus pensamentos voam nessas coisas banais do cotidiano.

Um ruído, porém, a faz ficar atenta.

"Barulho, como se fosse provocado por objetos de alumínio, como... tampas de muitas panelas caindo... muitas vasilhas..." - fala para si mesma, nesse momento.

Ela olha o relógio na mesinha ao lado. Este marca 3:45 da madrugada.

"Mas como?! Mamãe na cozinha a esta hora? Fazendo o quê?"

Dana levanta-se. Calça os chinelos. Sai do quarto e vai até a cozinha.

Chega no local, que está escuro e acende a luz.

"Como pode ter acontecido isso? Pensei que minha mãe estivesse aqui!" - pensa, incomodada e assustada, não a vendo ali.

Dana retorna os passos. Não satisfeita, segue para o quarto onde estão sua mãe e seu filho.

Vagarosamente, abre a porta do quarto.

Mesmo através da penumbra, dá para perceber que Maggie está dormindo perfeitamente tranquila.

William, em seu berço, também dorme, na santa paz de Deus.

"Engraçado...! O que foi, afinal, que ouvi? Seria da vizinhança que teria vindo o ruído?"

Dana fecha, com cuidado, a porta e segue em direção do seu quarto.

Fica intrigada, enquanto caminha pelo corredor. Entra no quarto.

Mulder está se virando na cama. Tateia com a mão o colchão, procurando Dana a seu lado.

Ela senta-se na beira da cama.

Ele a puxa para deitar:

Mulder puxou-a pelo braço.

Dana deixa-se envolver pelo abraço dele.

Mulder deita-se, arrastando-a consigo.

Dana repousa a cabeça em seu peito forte, pensativa; ainda intrigada por não entender o que se passara, com aquele estranho acontecimento.

Quase sem demora, ouve o ressonar de Mulder, adormecendo.

Mas seus olhos permanecem abertos.

Está um silêncio quase incomodativo. Ela procura ouvir algum ruído na vizinhança, mas está tudo calmo pelas redondezas.

O latido de um cachorro ao longe. Um pássaro noturno em seu piado pungente. O ruído rouco de motor de algum carro, mais distante.

"O que teria acontecido naquele instante? - pensa - Eu não creio ter me enganado. O barulho era tão próximo... ressoava aqui dentro de casa...! Não teria sido possível vir de alguma casa vizinha."

Novamente concentra-se em tentar ouvir os raros ruídos que lhes chegam aos ouvidos.

Cuidadosamente, retira de sobre o peito quente de Mulder a cabeça, ajeitando-se no seu lado da cama. Acha frio e incômodo o travesseiro.

Seus pensamentos levam-na até aquela noite, num motel, no Oregon.

* * *

Sentia-se estranhamente mal. Trêmula. Enjoada. Nervosa. Tonta.

Mulder fôra extremamente cuidadoso com ela naquele curto período, quando, em seguida, para seu desespero, ele desaparecera no espaço, conforme assistira, com horror, o Diretor Skinner, levado pelos alienígenas, naquela floresta.

E lembra-se do quanto se surpreendera ao saber que estava grávida! Quanta emoção e desespero sentira ao mesmo tempo! Quase enlouquecera! O maior desejo dela e de Mulder, que era ter um filho seu, havia se concretizado, mas ele já não estaria mais em sua companhia.

* * *

"E Skinner... Mônica... Doggett... como estarão eles? Acho que ficaria feliz em vê-los novamente! Às vezes, me vem uma saudade daqueles tempos...! Trabalhávamos sem parar, sim, mas o tempo passava bem mais rápido e eles eram nossos amigos, de verdade."

Dana move-se na cama, virando para o outro lado. Perdera o sono, direto.

"Que coisa chata! Não gosto quando isso acontece."

O terrível e desesperador desaparecimento de Mulder volta à sua mente, no chocante fato do passado.

Como fôra duro para ela certificar-se da morte do seu amado, naquela ocasião. Arrasadoramente tétrico.

Sofrera horrores, vendo o desfecho de todo um sonho de sua vida transformar-se em uma tragédia sem volta.

Dana sente que sua mente cansada de pensar, começa a dar lugar ao descanso para o corpo e os próprios pensamentos.

Uma languidez em seus membros a fazem entregar-se ao abandono de um necessário repouso.

E ela, enfim, adormece.

"O descanso só é honroso para os

velhos que empregarem bem a vida."

Lacordaire

 

 

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