CRÍTICAS

"O prazer da crítica nos rouba a

oportunidade de saborear coisas belíssimas."

La Bruyère

Capítulo 190

Dana deixa os braços caírem aos lados do corpo. Suspira. Faz um ar de desânimo.

Maggie, segurando o neto pela mão, ajudando-o em seu andar incerto, aparece, neste momento.

Dana dá uma risada, divertindo-se com a idéia de sua mãe.

Mulder empertiga-se, tempera a garganta e fala, solenemente.

William o encara, com olhos fixos à nova face do pai.

Os cantos de sua pequena boca vão se distendendo para baixo, num modo inconfundível de que vai chorar a qualquer momento.

Maggie está rindo a valer.

Maggie e Dana ficam a observar o que Mulder pretende fazer.

Este coloca seu filho de volta ao chão. Toma um dos pacotes que havia trazido. Entrega à Dana, para que ela desfaça o embrulho.

Um colorido e vistoso brinquedo aparece.

William arregala os olhos, surpreso.

Mulder pega das mãos de Dana o lindo brinquedo. Senta-se no chão, com o mesmo entre as pernas.

As duas mulheres observam a reação do menino.

William fita o vistoso brinquedo. Seu olhar passa do brinquedo para o novo rosto do pai. Do rosto do pai para o brinquedo. Repete esses gestos por alguns segundos.

Mulder finge estar brincando com o objeto, distraidamente e satisfeito.

William aproxima-se um pouco, com passos vacilantes.

O menino estanca os passos. Fica olhando o objeto colorido. Estica o braço, apontando com o dedinho indicador o atraente brinquedo, murmurando palavras ininteligíveis para sua mãe.

Maggie dá risadas, divertindo-se com a cena.

William continua parado.

William volta a fazer cara de choro. Mas não aproxima-se do pai.

Mulder levanta-se, toma o brinquedo e coloca-o junto às mãos de seu filho, que, por alguns segundos, vacila em pegá-lo.

Logo depois, dá um sorriso. Olha para o pai. Sorri, novamente. Segura o brinquedo com ambas as mãos. Está com um ar satisfeito.

Mulder o abraça, carinhosamente.

Maggie também suspira, aliviada.

* * *

A noite está morna.

A chuva torrencial está caindo em grandes e pesadas gotas, que fazem abaixarem-se a cada vez que caem sobre os galhos finos dos arbustos coloridos de flores, que circundam a casa.

Mulder, está relaxadamente deitado sobre a cadeira da varanda, olhos fechados, pensamentos longe, relembrando coisas de tempos atrás.

Pensa em como quase não tinha tempo nem para viver.

Sua labuta diária era complicada. Seria capaz de até dar a própria vida, para resolver casos intrincados, que causaram, por diversas vezes, muita turbulência no seu modo de viver sozinho e sem muito entusiasmo pela vida.

Ele dá um meio sorriso. Suspira. Acaricia-a nos cabelos.

Ele só faz um gesto negativo com a cabeça. Faz deslizar a mão sobre o ombro desnudo de Dana. Fica os olhos nos dela, que vê os dele brilharem.

Seu olhar, agora, prende-se ao decote do leve vestido que ela está usando. Toca com os dedos leves o busto que o atrai.

Retira-a de seus joelhos e também se levanta, arrebatando, num gesto rápido, o corpo de Dana entre seus braços.

Dana envolve-lhe o pescoço, enquanto sussurra em seus ouvidos.

Ele não retruca. Responde, colando sua boca aos lábios rubros dela.

Que o recebe com sofreguidão.

Ele caminha pelo corredor com seu precioso e amado fardo.

Entram no quarto. O seu lugar íntimo e sagrado.

Por enquanto, em suas mentes não haverá espaço para pensamentos tristes, preocupações ou mesmo meditações sobre o passado não muito distante e o futuro ainda incerto.

"Quem se apega ao passado pára.

O passado deve ser um trampolim

e não um sofá. "

Harold Mac