UM ACASO

"Acaso é a providência dos aventureiros.

"Napoleão

Capítulo 195

Mulder e Scully recuam, atônitos, com o que vêem.

Lá está, pendurado em modo um tanto desajeitado, nas reentrâncias da parede da gruta, o poster vistoso, atraindo, com sua inusitada presença ali, os olhares dos dois ex-agentes do FBI.

I WANT TO BELIEVE

Um "clic" ressoa dentro da caverna.

Mulder e Dana olham para trás.

Um homem, de pé, está mirando-os com uma espingarda numa das mãos, enquanto que com a outra, segura um grande cão pela coleira.

Dana o olha, com ar de reprovação.

O homem o fita, intrigado.

Mulder mexe com a mão, para abaixá-la, mas o homem o impede, com firmeza.

O homem abaixa um pouco a arma. Fica calado.

Mulder assente, sem falar.

O homem olha-os, detidamente, por uns instantes. Abaixa a arma. Solta o cão e ordena que deite-se junto dele.

Em seguida o homem narra que numa noite tranquila e sem luar, começou a definir no espaço algo que se movia rapidamente e, num dado momento, havia aterrissado no solo, numa clareira.

Mulder o ouve, com atenção.

Dana, ouvindo-o de braços cruzados, fica a observar a face atenta de Mulder.

Mulder olha para Dana, num ar de cumplicidade.

Dana abre bem os olhos, surpresa.

Ele faz um gesto com a mão, para continuar.

Os dois ex-agentes olham-se, novamente.

Ela alonga o olhar para observar o cenário à sua frente.

Vários lampiões pendurados na parede de pedra, outros sobre uma tosca mesa. Uma rede tecida em fibras está pendurada. Num canto alguns caixotes servem de móveis.

Com ar tranquilo, um coelho branco, agarrando com as patas algo comível, rói seu alimento com apetite.

O homem dirige-se a um canto da gruta, de onde apanha vários tipos de cestos tecidos em fibras.

Dana admira-se com o trabalho artesanal do inteligente sujeito.

Ela entende que Mulder o faz com um principal interesse: ajudar o homem.

Adquirem vários utensílios, inclusive uma rede.

O homem ajuda-os a arruma-los, de modo a serem carregados com facilidade.

Neste momento Dana olha assustada para ele, ao ouvir tais palavras. Permanece calada, porém.

O morador da caverna pega a única arma de que dispõe, sua espingarda. Faz sinal com a cabeça para o seguirem.

O cão fiel levanta-se e segue os três.

* * *

A trilha estreita por onde caminham parece, a cada momento, ficar mais fechada.

Prosseguem seu caminhar. O homem vai à frente, cortando os galhos mais salientes, com um afiado facão, que tirara da cintura.

Súbito, pisando numa das lisas pedras do caminho, Dana desliza e vai ao chão.

Rápido, ele volta-se para trás e a vê caída.

Ela apenas assente, apertando com as mãos crispadas o tornozelo no qual sente dor.

Eles vêem que o homem já está distante cerca de uns dez metros.

O homem ouve e pára. Fica aguardando.

Ele abaixa-se para ficar ao lado dela. Segura-a, com carinho.

O homem já se aproximara dos dois.

Ela não responde.

Num gesto rápido, ela a toma nos braços. Dirige-se ao homem.

"A força mais forte de todas

é um coração inocente."

Victor Hugo.

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