MAIS DISCRIÇÃO

"A discrição não é senão o medo

que anda na ponta dos pés."

M. Zamacoes

Nota: Este capítulo deveria ter sido colocado no ar no mês de fevereiro, pelos motivos óbvios que vocês verão no tema da estória, mas, devido ao prolongamento do Capítulo 193 em várias outras partes, houve o atraso desta. Mas aqui está a minha homenagem à Scully.

Capítulo 197

A rede de fibra, pendurada entre duas árvores, balança, suavemente, com as pernas de Dana tocando o solo com as pontas dos pés, para que esta se movimente sob o peso de seu corpo e o de Mulder.

Ambos estão largadas na ampla rede de beiradas trabalhadas com belo rendado em cordões grossos e coloridos.

Ele nada replica. Permanece calado. Olhos fitos no céu.

Nuvens brancas desenham-se lindamente naquele espaço azul.

Dana sorri, mantendo os olhos fechados. Os seus pés ainda em movimento, tocando o chão, para balançar a rede.

Ela recomeça a falar, ainda com os olhos fechados.

Ele abraça-a, calorosamente.

Ele senta-se na rede.

Ele a olha espantado.

Ele a beija, apaixonadamente. Após segundos ela o afasta de si.

Ela dá uma risada.

"Aniversário de Scully! - ele lembra - Há já quase dez anos nos conhecemos e poucos presentes dei a ela, mas acho que desta vez ela vai gostar."- sorri, animado.

Ele sai da rede. Dirige-se para dentro. Bate a porta da entrada, trancando-a.

Dana aparece diante dele. Vestida num quimono de cetim da cor de seus olhos. Colocara uma flor nos cabelos. Para fazer charme. Espera-o à porta do quarto.

Ela sorri. Estende os braços para ele.

Mulder encaminha-se em sua direção. Mas decepciona Dana. Ele passara por ela sem ao menos tocá-la.

Ela vira-se rápida e surpresa, vendo-o entrar no quarto.

Ele abre a porta do armário; quase enfia todo o corpo lá dentro, procurando algo.

Mas ele está cada vez mais decidido a encontrar alguma coisa que deve estar no interior do móvel.

Dana, confusa, fica só a observá-lo a escarafunchar os objetos e roupas lá dentro.

Começa a desatar o belo e decorado laço que adorna a caixa achatada, embrulhada em papel brilhante. Seus olhos arregalam-se ao ver o conteúdo.

Dana sente o frenesi tomar conta de seu corpo, sabendo que ele a está olhando desse jeito, desejando tomá-la para si e levá-la ao êxtase do amor.

Ele faz sinal positivo com a cabeça. Porém suas mãos manobram hábil e docemente o laço que mantém fechado o quimono que ela veste. Desamarra-o e o deixa deslizar pelos braços e corpo dela, fazendo-o cair no chão aos pés da mulher amada. Seus dedos tateiam com doçura as rendas do soutien que ela veste. As mãos deslizam frementes pelo ventre e cintura fina, descendo para a calcinha, também rendada. Ele coloca os lábios bem dentro dos seus ouvidos. A língua passeia no recôncavo de sua carne morna e ela sente o resfolegar da respiração ofegante dele.

Desprendem-se um do outro.

Dana afasta-se e vai na direção do banheiro, carregando a longa camisola negra. Retira todas as peças íntimas. Olha-se no espelho.

O negror da camisola faz realçar a sua pele alva e os cabelos ruivos, longos e anelados. Acaricia seu próprio corpo. Sente um frêmito de desejo pela máscula figura do amado que a espera atrás da porta. Sai para o quarto, novamente.

Mulder a aguarda. Já havia retirado da cama a colcha vistosa e a atirado displicentemente a um canto do quarto.

Toca-a nos cabelos, acaricia seus ombros alvos que estão recobertos pela camisola negra. Desce os lábios pelo seu pescoço e decote, detendo-se aí, enquanto os dedos procuram tocar, abrigados naquela renda, os botões de carne que ele procura com a boca, sugando-os com prazer e sensualidade.

Dana deixa-se tocar. Acariciar. Beijar. Permite que aqueles lábios a provem, que os dedos trêmulos a apalpem e que aquelas mãos a dominem. Ele é o seu amor. O seu querer. A sua vida.

"Deus criou os pássaros para

ensinar a agente a beijar. "

Ching Cholle