TEM QUE EXISTIR O CIÚME

 

 

"Os homens amam através do ciúme;

mas as mulheres são ciumentas

através do amor."

  1. Wertheim

Capítulo 29

Scully apressa-se a arrumar-se para sairem.

Já está colocando sua blusa branca, para ficar sob o uniforme escuro, agora.

Mulder volta ao quarto e fica a olhá-la, com interesse.

Nem adianta seu gemido de protesto.

Mulder já a beija com sofreguidão e ela... corresponde.

Separam os lábios. Corações acelerados.

Mulder afasta-a de seu corpo para examiná-la.

E ela começa a rir, sem parar.

E ri, ainda, colocando as mãos à boca, divertida com a cena.

Continua assim e nem percebe que ele estende as mãos para agarrá-la novamente.

Dana não recua e nem tenta alguma reação.

Para que? Mulder é o seu amor, seu bem-querer, sua paixão, seu amado... e está alegre, feliz, brincalhão e eufórico.

Ela não vai quebrar esses instantes de plena felicidade.

Separam os lábios, agora. Permanecem abraçados.

Mulder aperta-a com calor.

Scully coloca os dedos sobre seus lábios:

Mas não se importa. Abraçam-se.

Ela tem o rosto apertado sobre o peito nú dele. Só tem chance para respirar, pois ele ainda a agarra fortemente.

Repentinamente o semblante de Mulder torna-se nostálgico e preocupado.

Solta Scully de seus braços.

Lá dentro, bem no fundo, vem-lhe essa intuição louca, de que algo tirará Dana de sua vida, ou melhor, ele será tirado de junto dela.

Por segundos sente-se pesaroso e infeliz.

Dana já está retocando a maquilagem e novamente ajeitando a roupa diante do espelho do banheiro.

Mulder fica ali, a contemplar o nada, absorto.

Somente a voz de Scully o faz voltar à realidade.

Ele desperta da letargia:

* * * * * *

Mulder abre a porta.

Scully o acompanha. Logo seu olhar vai em direção do aquário iluminado.

Ela logo apanha o potinho com a comida para alimentar os peixes.

Mulder sorri, vendo a solicitude dela.

Ele espalma as mãos, surpreso e sorrindo:

Ela afasta-se do aquário com o potinho de comida de peixes ainda à mão.

Mulder está agora continuando a procurar a camisa nas gavetas da cômoda; abre os armários.

Mulder larga o que está fazendo.

Puxa Scully, agarra-a pela cintura e joga-a doce, mas firmemente na cama:

Ele deita-se por cima dela.

Riem os dois.

Falam com os lábios quase unidos, sentindo a respiração um do outro.

Ele força-a mais. Beija-lhe o pescoço.

Ele abre-lhe os botões da blusa.

Ele desliza os lábios sobre seu soutien rendado.

Ele levanta-se, deixando-a livre para sentar-se.

Ele senta-se na beira da cama e fica olhando, acompanhando os gestos dela.

Em poucos minutos, após arrastar vários cabides, finalmente, retira um do armário e coloca-o virado para Mulder.

Justamente é a camisa cinza, polo, de malha, diante dele.

Mulder levanta-se.

Ela não sorri. Continua segurando a camisa no cabide.

Ele toma-a de suas mãos, num gesto rápido.

Ele dá largos passos no quarto e começa a rir.

Ele aproxima-se. Ri , divertidindo-se com as palavras dela.

Ele já havia enlaçado sua cintura e espreme-a contra seu corpo, levantando-a do chão.

Dana enlaça-o pelo pescoço e com o rosto próximo ao seu murmura, cheia de desejo.

- Você pode até sair, faça o que quiser, mas sei que as outras só vão poder olhar pra você... só vão babar... só imaginar coisas eróticas com você, mas não vão poder ficar como estou aqui, entregando-me toda a você... sentindo este teu peito quente e desejável, não podem olhar desse jeito esses seus olhos... beijá-los assim... - ela os beija - ... sentir essa sua boca que vasculha tudo de mim... - fala com os lábios pousados sobre os dele - ... elas todas vão ter inveja de mim...

E ela o beija, quase desesperadamente.

Após longos minutos, com o desejo a arrebatar-lhe os corpos, Dana sente que ele a leva em diração da cama.

Sai de seus braços, rapidamente.

* * * * * *

Caminhando através dos corredores do Bureau o ar circunspecto dos dois Agentes somente demonstra a alta competência da dupla dinâmica do FBI.

Encaminham-se para a sala de Skinneer e Mulder fala com a secretária.

Dana acompanha-o, sem nada falar.

Skinner, de pé, próximo à janela, volta-se na direção deles, quando os vê chegar à sua sala.

Skinner pára para observá-los por alguns segundos.

Mulder olha para Dana de soslaio, para sentir a sua reação pelo comentário.

Scully franze os lábios, ergue bem a cabeça e volta a olhar para a janela, como quem não quer ouvir a infame citação do seu superior.

Encaminha-se para a mesa de reunião.

Scully o segue.

Já sentados à mesa estavam cinco agentes, dentre os quais Sophie.

Os recém-chegados cumprimentam seus colegas já à mesa e sentam-se, a seguir.

* * * * * *

A reunião transcorrera em clima tenso pelas discussões havidas sobre o assunto tratado.

Mulder e Scully já estão dirigindo-se ao corredor, quando a Agente Sophie chama Mulder.

Ele volta-se para atendê-la e pára de caminhar.

- Ah, Fox, preciso de um favor seu!

Dana já arrasta Sophie por um braço, retirando-se dali em passos rápidos.

Mulder permanece onde está.

 

"Scully sabe o que está fazendo. Se ela sente vontade de levar a colega, tudo bem. Mas... será ciúme? - pensa ele - Tudo fica por conta de sua imaginação."

Um leve sorriso desenha-se-lhe na face lembrando as palavras da poeta:

"Nas mulheres a imaginação e a

sensibilidade sobrelevam a lógica."

Madame du Deffand