UM DIA DE FELICIDADE

 

"Não há vidas felizes;

há apenas dias felizes."

A Theuriet

 

Capítulo 35

Nesta manhã a praia está quase deserta.

Mulder, com o corpo distendido sobre a areia, observa Scully preparando-se para sentar-se ao seu lado. Não perde um só detalhe; nota o corpo pequeno e frágil, o ar destemido e às vezes ingênuo.

Dana, a sua Scully que tanto ele ama e que o faz feliz, realizado sentimentalmente, o completa.

Bem que ele gostaria de poder dar-lhe muito mais do que ela precisa.

Ama-a de verdade, como jamais imaginou entregar seu coração e sentimentos a alguém.

Mas ela, Scully, é especial. Ela possui aquele toque de feminilidade reunido à competência, à racionalidade, à seriedade de carater que o atrai e o faz cada vez mais submisso aos prazeres a que ela o faz sentir.

Ele puxa-a pela mão para que sente-se junto a ele na areia.

Scully senta-se.

Porem ele não o faz. Permanece deitado de costas ao chão.

Dana vai passando lentamente o óleo no seu peito desnudo.

Mulder apenas fica sorrindo, olhando-a, com ar de felicidade estampado no rosto.

Uma música orquestrada, suave e romântica chega até seus ouvidos, vinda de um quiosque instalado a bastante distância do local onde os dois se encontram.

Ele agarra-a para que ela deite inteira sobre seu peito.

Ele reclina-se, apoiando-se num cotovelo, levando-a para cima:

Mulder agarra-a fortemente para que se desequilibre e desabe por cima dele, que se joga na areia.

- Mulder, você é incrivel! Pára! - recrimina-o em baixa voz.

Dana oferece-lhe um lindo sorriso.

Ele deitado e ela fica inclinada sobre seu corpo.

Ele apenas geme. Fala entrecortadamente:

Começa a passar a lingua sobre a pele do seu peito desnudo, tentadoramente.

Dana ri.

Ela faz como que somente o estivesse provando, sentindo o seu sabor, tocando mansamente os lábios dele com os seus.

Ela não o obedece. Somente ri, olhando-o, bem encostada a ele. Olhos nos olhos. Boca quase com boca.

Mulder a puxa com força sobre seu tórax, para unirem suas bocas.

E trocam um apaixonante beijo de amor, no intenso desejo em sentir suas linguas a se acariciarem na sua maciez suave e com o passar dos segundos, avidamente.

A música vinda até seus ouvidos embala-os, com doçura.

Minutos depois Scully sai de sobre ele. Deita-se ao seu lado.

Rapidamente Mulder senta-se.

Ele levanta-se rápido, a seguir. Puxa-a pela mão para que o acompanhe até a água.

Ela levanta-se ao ser puxada e sendo assim carregada por ele.

Ambos correm para a água.

Penetram na água, deixando que esta os envolva até a cintura. Abraçados, ficam calados, quietos, somente sentindo que seus corpos deixam liberar toda a ânsia do desejo que lhes abrasa neste momento. E assim abraçados, agarrados, colados, podem sentir o prazer estremecer todas as fibras do seu ser.

Ambos não conseguem reprimir os discretos gemidos de prazer que lhes saem do mais profundo de seu peito.

A água do mar, ondulante e calma, os faz porem-se em movimento, impulsionados por ela, que lambe-lhe os corpos e desfaz-se em seguida para retornar nos segundos seguintes e assim, ininterruptamente.

E Dana sente-se quase desfalecer de prazer.

Mais uma vez um gemido sai do fundo do seu peito, deixando libertar-se assim pelo sentimento o que a carne provoca neste momento.

E permanecem abraçados.

O forte sol agora, que coloca em tom dourado o verde das palmeiras que contornam a praia, aquece-lhes o corpo.

No horizonte infinitamente azul, o céu junta-se à agua numa só linha ao alcance da vista.

As gaivotas aqui e ali sobrevoam com seus gritos o límpido céu.

As ondas, levadas pelo vento, coroam a areia com seu colar de alva espuma, alisando-lhe carinhosamente a superfície e desfazendo-se a seguir.

O casal continua assim, abraçado, pleno de felicidade.

A natureza soberba ali, proporciona-lhe infindo prazer e tranquilidade no coração.

Eles têm a vida tão dura e difícil! Tão atribulada e perigosa! Tão cercada de mistérios e horrores!

Tão cobrada por seus superiores!

Mas isso tudo nada significa nos momentos em que pensam somente em si mesmos.

Em que buscam somente amar-se e deixar as coisas horrendas e difíceis para trás.

Nesses momentos querem apenas viver! Esquecer tudo à sua volta!

Porque se amam. Se querem. E o coração, movido pelo verdadeiro amor, fala mais alto que todos os outros sentimentos.

Encaminham-se novamente para a areia.

Deitam-se próximo à beira díágua.

As ondas do mar, desmanchando-se junto a seus corpos, vêm como que acariciando-os, desfazendo-se depois em nada.

Dana o olha de soslaio. Não acha agradável falar sobre isso.

Ela continua calada.

Ele fecha os olhos.

Dana fecha os olhos. Não gosta de lembrar todas as experiências más pelas quais passou, quando abduzida pelos alienígenas. Abre os olhos, mas sente-se contrafeita.

Neste exato momento uma luz brilhante os ilumina.

Mulder abre os olhos e percebe imediatamente a forte luz sobre eles. Senta-se rápido.

Sente um repentino terror dentro de si.

Agarra a mão de Scully, que, ainda temerosa, não se movimenta.

Ela mantém-se estática e assustada.

A luz parece-lhes aumentar de intensidade.

Dana aperta com mais força, ainda, a mão de Mulder.

Os olhos atentos de Mulder identificam, por fim, o facho de luz intensa e brilhante que os ilumina tão surpreendentemente.

Ele a segura, para mantê-la deitada na areia.

- Mulder, fala!! - pede.

Scully faz um esforço para levantar-se, porem Mulder a segura ainda contra a areia.

De súbito, Scully, amedrontada, não aguenta mais.

Senta-se para acompanhar com Mulder o que está acontecendo.

Lá distante, perto do quiosque, um grande caminhão-baú, fazendo manobra, joga a luz forte do sol refletindo sobre seu parabrisas contra Mulder e Scully onde estão, à distância.

Abraçam-se, dando gargalhadas.

Suas risadas espalham-se no ar, misturando-se ao marulhar das ondas do mar.

 

"O riso está bem

perto das lágrimas."

Michelet