UM PENSAMENTO VEM À SUA MENTE

 

"Nosso maior prazer neste mundo

são os pensamentos agradáveis."

Michel de Montaigne

 

Capítulo 385

 

Mulder se afasta. Sai do quarto e abrindo a janela respira o ar puro que vem de fora. Observa o dourado do sol a se espalhar

sobre as montanhas ao longe.

Ele estica os braços, alongando-os, para se espreguiçar.

Um pensamento vem à sua mente neste instante; olha para o lado do quarto onde está a cama e os cobertores ali desarrumados,

mas cobrindo o corpo da mulher amada, que está dormindo.

"Meu motivo de viver, minha inspiradora, dona do meu ser..." — ele se emociona com essas lembranças que vem à sua mente.

Volta-se novamente para a paisagem que se apresenta lá fora.

Os pássaros, soltando seus cantos alegres, dão ao lugar a impressão de um filme, por tanta beleza que a natureza oferece.

Ele ouve agora um remexido na cama.

Huuuum...

Mulder retorna ao quarto e se dirige para onde Dana está.

Ela abre os olhos:

— Mulder, já está levantado por que?

— Ah, eu não consegui ficar aí porque você toma todo o espaço da cama.

Ela só dá um sorriso, olhando para o teto.

— Scully, sabe o que acordei pensando?

— Que você tem um cérebro que às vezes só funciona criando besteiras.

Ele se aproxima:

— Amanheci pensando naquela asneira de que começaram a falar sobre nossa vida.

Ela senta na cama, pousando os cotovelos nos joelhos e as mãos apoiando o queixo.

— Do que você está falando?

— Lembra que naquela ocasião descobrimos que criam histórias sobre nós em Série na TV?

— Sim, eu lembro.

— E fico pensando, pondo o cérebro para entender uma coisa: o criador dessas histórias é um idiota. — franze os lábios — Completo!

— Mas não é, na verdade, uma bela homenagem a nós? Afinal de contas nós merecemos isso, pois trabalhamos demais e em situações

difíceis por muitas ocasiões e é bom que façam mesmo uma homenagem para nos darem o devido valor pelo nosso trabalho.

— Concordo que é uma bela homenagem em algumas coisas, mas agora ele está passando dos limites!

— Nossa! Então agora ele nos pôs para ir morar com os alienígenas lá em Marte? — dá uma risada.

Ele fica sério. Senta na beira da cama.

— O cara agora criou histórias de que estamos separados, sabe dessa?

— Ah, Mulder, só rindo com essa sua preocupação! Isso não tem nada a ver com a gente!

— Claro, Scully! Mas olha só, nossos filhos estão assistindo a Série que já está famosa, criando espectadores no mundo inteiro.

Ela se levanta, aproximando-se dele; segura-lhe o queixo carinhosamente.

— Por que essa preocupação, meu bem? Deixa o roteirista seguir com as invenções dele! Esquece isso!

Ele se afasta, irritado:

— Você não quer entender, é?

— Mulder! O que está acontecendo? Você está falando irado comigo! Por que?

— Porque você sempre pensa as coisas ao contrário de mim... é isso.

Ahn...? — ela não entende o que ele quer dizer.

— Acredito até que você concorda plenamente com a ideia do roteirista dessa Série maluca!

— Sim!

— Tá vendo? Não falei...? É isso.

Dana se afasta e vai para a janela, onde apoia os braços olhando para fora:

— Lindo...! O céu está limpinho... azul... como já me falaram cheio de amor... que meus olhos lembravam o céu... que meus cabelos

lembravam os raios dourados do sol... se escondendo atrás daquelas montanhas... — suspira.

Mulder agora se aproxima de Dana; abraça-a por trás pela cintura e encosta os lábios em seus ombros desnudos.

Dana continua, num murmúrio:

— ... e aquele que me falava essas coisas possui em sua voz algo que faz penetrar suas palavras dentro do meu peito, causando, além

de emoção, uma sensação de desejo incontido...

Ela não consegue concluir suas palavras murmurantes, pois ele, abraçando-a, a faz voltar-se para que, assim, possam unir seus corpos

num abraço além de terno, muito apertado, que mostra o amor que sai de seus corações.

 

"O espírito busca, porém é

o coração que encontra."

George Sand