ZELO E CARINHO

"O zelo dá origem à felicidade."

A Pope

 

 

Capítulo 70

Mulder e Dana levantam-se do sofá.

Ele a abraça fortemente, aspirando o perfume dos cabelos dela.

Rapidamente ela afasta o rosto do peito dele, para olha-lo. Seus olhos indagadores observam profundamente os de Mulder, que, neste momento perdem um pouco do verde, para tornarem-se acinzentados pela emoção.

E Dana continua indagando com o olhar, enquanto segura o rosto de Mulder entre as mãos.

E oferece a boca rubra para que dela Mulder se aposse, se apodere de todos os seus sentidos.

E unidos ficam a deleitar-se num apaixonado beijo, deixando permanecer o corpo num desejo veemente, porem tranquilo.

Abraçam-se, demoradamente, enquanto o bebê, irrequieto, mexe-se a todo momento, causando em Dana um leve mal-estar.

Afogueada, queixa-se:

Ele, sem nada concordar, toma-a nos braços e carrega-a para a cama.

Mulder ajuda-a a deitar-se.

Em seguida atira-se com todo o seu peso na cama.

Ela lança sobre ele o olhar feroz, mais azul ainda.

O riso de Scully ressoa no quarto.

Estão felizes nos raros momentos em que têm essa chance.

Porque a incerteza dos sentimentos sempre os acompanha; a cada dia em seu trabalho, na luta insana do dia-a-dia.

Scully faz menção de levantar-se.

Mulder, por sua vez, levanta-se e ergue-a

Ele ri, fazendo galhofa:

Dana deixa o banheiro logo e, logo após, apanha do armário um robe para vestir.

Mulder acompanha com o olhar os gestos dela. Aproxima-se. Deseja auxilia-la.

Ele desabotoa-lhe o casaco pesado e largo. Sob este a blusa deixa à mostra o ventre pronunciado de Dana.

Mulder afaga-o com ternura.

Enquanto Dana levanta os braços para retirar a blusa, Mulder observa a pele retesada e brilhante diante de si.

Ele acaricia-lhe a pele branca e macia do corpo todo.

As mãos grandes de Mulder, com seus longos dedos finos, deslizam suavemente por sobre a superfície da pele macia e fremente de Dana.

Mulder abraça-a com calor.

Mulder fita-a profundamente, com o olhar esquadrinhador. Toma-a nos braços.

Ela dá uma de suas risadas cristalinas, agarrada ao pescoço dele.

Coloca-a na cama, cuidadoso.

Mulder atende-a

A luz difusa do abajur na mesinha de cabeceira deixa um leve toque de aconchego no local, que torna o quarto frio num tépido e gostoso ambiente.

Somente as sombras dos objetos sobre a cômoda projetados na parede criam nela uma idéia de desenho inanimado.

No canto do quarto o berço, parece ter vida e, como que carinhosamente, aguarda a chegada do filhinho do casal, para cuidadosamente abriga-lo.

Dana cobre Mulder com zelo e carinho, agasalhando-o bem.

Aperta-se contra ele, com um profundo suspiro.

Mulder estende o braço e desliga o abajur de cabeceira.

Ajeita-se na cama e faz Scuily apoiar a cabeça em seu peito.

Dana acaricia-o no queixo, sentindo sob os dedos a espinhenta sensação da barba dele por fazer. Suspira profundamente.

Mulder também suspira.

Ambos permanecem calados por algum tempo.

Mais silêncio.

Dana começa a perceber que a respiração de Mulder está mais pesada. Ela ouve o coração dele a pulsar forte.

Bendiz as graças de Deus que permitiu-lhe ter ao seu lado novamente, o homem que ama.

Continua a ouvir, atentamente, o coração de Mulder pulsando... pulsando... o que a faz refletir em pensamentos.

"O coração ... afinal é uma ... poderosa bomba muscular que impele sangue através de dois circuitos diferentes: o sistema de vasos sanguíneos que leva sangue a toda a periferia do corpo e depois o conduz de volta ao coração. O sistema menor que leva o sangue aos pulmões para ser oxigenado e voltar ao coração e ser reposto no circuito maior. Suas quatro câmaras musculares: duas aurículas e dois ventrículos... as aurículas direita e esquerda são câmaras de recepção para o sangue que retorna; o sangue proveniente dos tecidos flui para a aurícula direita, enquanto o sangue dos pulmões penetra..."

Dana tenta esvaziar a cabeça de pensamentos tão científicos. Sente a mente cansada. Mas sente que não pode nunca livrar-se do destino ao qual está subjugada sua vida: a ciência.

"Aquele que ama a ciência, jamais dela se farta."

Bacon